quarta-feira, 9 de março de 2016


há noites de dúvidas. sentimentos de derrota. cansaço. extremo cansaço. eu sou essa a quem, de há uns tempos para cá, chamam de senhora. a senhora isto, a senhora aquilo. quando, dentro de mim, a senhora é ainda criança. isso não faz mal. nem sequer importa. esta senhora aqui está é cansada. muito cansada. são estas noites em que, quando a casa fica no paz do sono, tudo me desaba e me deito com dúvidas... será que fiz bem? o que é que fiz mal? onde começou o início deste fim? tanta pergunta por responder...



o que vale é que na minha almofada dorme um anjo que me apazigua a alma e, de manhã, a dúvida deu lugar à esperança e recomeço a vida com um sorriso.
esta senhora, aqui, abraça o dia, a sorrir.

namasté.








https://osegredo.com.br/2014/10/os-anjos-aceitando-o-poder/

sábado, 5 de março de 2016

agora sou eu. chegou o meu dia. aquele dia.
vou à casa de banho e, num lavar de mãos banal, espanto-me com o rosto que se diz meu reflexo. sou eu. a mesma de sempre, mas... esta pele acusa uma idade que não me sinto. marcas de um tempo que, às vezes, me pesa. histórias minhas, que são a minha história. ali, em frente a essa pele que nunca vi, sou igual a toda a gente, mulher acima de tudo... e todas as misérias do mundo sucumbem e todas as injustiças  se esquecem, e também não há glória ou conquista que resista. as marcas do tempo marcam o tempo, compasso a compasso, metrónomo implacável...

e, depois...
                                    as hormonas são tramadas.

viver ao sabor do seu excesso ou da sua ausência parece-me um detalhe irónico da Natureza.

estás no momento pujante da tua vida? então, toma lá uma dose extra de hormonas aos saltos e passa-te dos carretos, chora e grita, ou ri de loucura, às lágrimas!, para, no milésimo de segundo a seguir, caíres na depressão mais profunda e ameaçares morrer de desgosto! isso tudo, enquanto o teu corpo te surpreende com novas curvas a cada manhã e te descobres sentimentos sem nome que ameaçam tomar conta de ti, por dentro.
uffa!
depois, passados uns anos e uma vida a correr por parques e jardins, corredores e salas em construção... chegas, finalmente, ao salão grande da casa e parece, PARECE, que, até que enfim-já não era sem tempo!!, vais curtir a festa.
ai é?
então, toma lá, ou antes, dá cá!: essas hormonas que, a certa altura, se multiplicaram em loucura... essas, todas, dá-mas cá! e, agora sim, toma lá, crises de choro sem mais-nem-porquê, uma irritação que te sobe pelas entranhas e te sai pela voz e pelos gestos, desconhecidos, invasores que não te respeitam, além de calores súbitos e tremuras ainda mais repentinas, oscilações insanas que te saem pela pele e te mudam de cor a um ritmo imoral!


e é assim que, nos picos desta montanha russa, nos dois extremos da nossa existência, temos as tolas das hormonas a comandar as tropas e a ditar leis!

Quantos anos a sua pele tem? Aprenda a “rejuvenescê-la”... podia ser mais irónico?...

mas, hoje. sou eu. esta que vejo no espelho.


 e gosto de mim.


afinal, sempre devo ter aprendido qualquer coisita... ;)



foto: http://melhorcomsaude.com/quantos-anos-pele-aprenda-rejuvenesce-la/

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

matrix

parar e ouvir a voz de dentro. tal como no matrix, suspender o mundo em redor. existir, simplesmente.

podes dar as voltas que deres, enfiar a cabeça na areia e fazer de conta que a casa não está a arder, atirar pela janela as provas da falta de verdade na tua vida, podes tentar ser mais um dos outros, "normal", fazer tudo como manda o figurino, pintar o rosto, ondular o cabelo, comprar saias catitas a combinar com sapatos de todos os formatos, ainda mais catitos que as saias, tudo a combinar, um mimo!
podes fazer tudo! a ginástica toda que quiseres para teres o sorriso certo, A palavra certeira no momento exacto, a ideia brilhante na aridez da criatividade. ser carinhosa mais que q.b., aguentar estoicamente a falta de atenção, a falta de amor, podes engolir a rebeldia e sufocá-la no esófago, fazer nascer das entranhas, planta doente sem raiz, uma submissão que não é tua, nem reconheces!, podes ter as rotinas dos outros, podes tentar andar pela beirinha e pela sombra, e falar baixinho, e rir sem gargalhar, e fazer tudo direitinho! imaculadamente direitinho, até se terem esbatido todas as semelhanças com a essência do que és e seres apenas uma boneca arranjadinha num corpo revoltado por não conhecer - repudiar até - aquela estranha que tomou conta de ti, dos teus gestos e palavras... e deixares de escrever com medo de pensar e sentir, e abafar aquela-tu que subjugaste com o peso da culpa e da vergonha... segredos. de dentro. nem te lembras como começou, apenas do momento em que decidiste voltar as costas a ti e inventar uma vereda de paraíso que, umas curvas depois, se revelou um inferno.

até um dia.

AQUELE dia em que, finalmente, olhas o canto do costume no tecto do teu quarto e sentes, com a lucidez inquestionável da fatalidade, que já não aguentas mais.
então, cai tudo. desabam as torres sem castelo de um reino que não existe, volta, reviravolta, fica tudo baralhado, tudo perdido, a casa outra vez a arder, ninguém percebe, nem compreende, ninguém se entende, todos à procura do bode expiatório para carregar as culpas da desgraça e fica o mundo de pernas pró ar, tudo ainda mais baralhado. AQUELE dia em que dás o passo mais difícil de todos, o primeiro, para lá do desespero que tanto trabalho deu para construir.

parar e ouvir a voz de dentro. tal como no matrix, suspender o mundo em redor. existir, simplesmente.

e aceitar. as lágrimas e a dor. as tuas e as deles, porque tudo o que fazes ecoa na vida de outros, não somos ilhas. então, pouco a pouco, a cada dia, vais avançando. quando reparas, os teus joelhos estão esfolados e dói tudo, por dentro e por fora, mas não é possível voltar atrás. seria morrer. e o amor pela vida continua vivo dentro de ti, em redor de ti, e não te deixa capitular. percebes, depois de muitos tentativa-erro-tentativa-erro, que só tens uma única via e é para a frente... começas a acreditar que é possível mudar, seguir caminho e sorver a vida no ar que respiras, no sono solto das almas novas, beijar as noites, abraçar as manhãs, ou vice-versa, ou as duas coisas ao mesmo tempo... e, sem rodeios, complicómetros ou rebuscados porquês, podes, finalmente... ser tu.

http://media.comicbook.com/uploads1/2014/12/neo-114938.jpgfeliz ou miserável, mas tu. fiel. verdadeira.


mas tudo isto... só depois do primeiro passo... parar e ouvir a voz de dentro. tal como o matrix, suspender o mundo em redor. existir, simplesmente.

e amanhã de manhã, quando acordares, pode bem ser o teu primeiro dia.

tu decides.




terça-feira, 2 de fevereiro de 2016



aquele momento em que chegas à conclusão que, estando tudo certo, fizeste tudo errado... ou quase tudo, porque eu cá sou dramática e exagero à fartazana...
este, é um desses momentos.
prestes a mais um feliz cumpleaños, cariño!, sinto-me como um capitão ao leme de uma frota considerável, todos os barcos em simultâneo, todos em sintonia... todos, menos aquele barquito pequenino que é a menina dos olhos desse lobo do mar cansado... essa casquita de noz que luta por se manter à tona, esse, o capitão não sabe pilotar...

hoje,chorei e ri ao mesmo tempo. não como das outras vezes. hoje foi diferente.
a mesma lágrima que chorava a tristeza, lambia os recantos do sorriso de alegria.

não sou bipolar. mas às vezes, apetecia...



foto: http://poesia-de-mel.blogspot.pt/2013/04/a-deriva.html


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016


se tudo tem um preço, quanto custa uma consciência tranquila?

eu sei o meu preço.
a verdade.

a verdade da minha voz.

aprendi, da forma mais dura, que quando se respeita mais a verdade dos outros do que a nossa, a alma começa a soluçar, por dentro, nos músculos, nos ossos, nas veias... nas células... e coisas más acontecem. coisas muito difíceis. é o corpo a gritar o sufoco da alma, a verdade que se cala e se engasga na garganta, que se atrapalha nas mãos e que cai aos tropeções na pressa dos passos que correm de nada para lado nenhum... apenas para escapar de dentro, da consciência sem paz. depois, há a surpresa já adivinhada das coisas difíceis que acontecem quando a alma já não aguenta mais... e tudo muda. irreversivelmente.

hoje, por fim... aquele pequeno-grande passo.
e o nó na garganta soltou um pouco mais
a alma deixou deixou de tanto icar...


alguém disse que quando se muda, tudo muda connosco.

verdade.

esta noite, a minha consciência dorme mais tranquila.




mais ou menos isto...



abelhinha atarefada...
zum zum zum zum
de cá para lá
de lá para cá
às voltas
correria no bater de asas
zum zum zum zum
abelhinha atarefada
quando o pólen se acabar
abelhinha atarefada
que zum zum
vais zunzunar?...

sábado, 23 de janeiro de 2016

não dizer nada a não ser que se tenha algo para dizer...
não deixar sonhos que são sonhados por realizar...
nunca é tarde.
nunca.