como salgueiros
ou cipestres
dançando ao vento
fustigados pela chuva
ou ardentes
sob o sol do meio-dia...
tudo é tão intenso.
tudo é tão forte.
e os mistérios espreitam
doidos por serem descobertos...
na essência de todas as coisas
há uma paz sublime.
a única paz que vale a pena.
a paz da verdade.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
aprendi que
nada é comparável
a preciosa paz do travesseiro.
e por isso
hoje
mais uma vez
rendo a minha tristeza nómada
a esta noite calma.
deito-me nos silêncios
enrosco-me no veludo da saudade
deixo-me embalar no sono
e sonho.
é este o corredor da transição.
é aqui.
alma e coração
deixam o canteiro fechado
atravessam o jardim
e soltam-se
livres
na planície aberta
extensa
liberta
sob um céu azul
onde o vento ama todas as árvores
e todas as flores
e onde o tapete de erva fresca
é o melhor chão
para o desvario
inebriante da liberdade.
ainda não cheguei aí.
estou aqui.
neste corredor de transição.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
o tempo passa
e passando o tempo
passa-se por tanto
que esquecemos
que o tempo é apenas tempo
e passa.
fingimos que o tempo não existe
querendo ganhar tempo
acabamos por perdê-lo
e
perdemo-nos também
no tempo.
algures,
numa sombra mistério
de um tempo qualquer
tudo cresceu...
e foi-se o tempo
neste tempo
que renasce
todos os dias...
domingo, 5 de abril de 2015
dia de páscoa
depois do burburinho e da correria
sair
beber das árvores sussurros cúmplices das ervas receber o cheiro quente
do final da tarde
o sol vermelho imperador do céu
horizonte
e as aves que cantam e voam
e não se calam
para não deixar esquecer
que há primavera
que é hoje a primavera
e que tudo é possível
para quem está presente.
tudo.
até descobrir numa rua tantas vezes percorrida
a curva mais mágica da minha terra.