sábado, 9 de janeiro de 2016


faz hoje quatro anos...

que quê? que fui operada, que me "tiraram o diabo do corpo"?... não conheço nenhuma forma simpática de dizer isto.
tive um cancro. da mama. acho que ainda ando a digerir tudo o que aconteceu... não foi um caso "normal".
o que aconteceu foi que, depois de acompanhar uma amiga-d'alma durante o seu último ano de vida, apenas três dias depois da sua partida, a minha mão foi intuitivamente conduzida à extensão da minha mama direita.
o que senti? o que se sente quando se tem uma borbulha, ou um "papinho". depois do processo todo da minha amiga, estava sugestionada. foi o que pensei. e calei-me. durante uma semana. mas o "papinho" continuava lá. resolvi, então, tirar a história a limpo e lá fui à médica.
ginecologista.
entrei no consultório já a dizer que "então, a minha amiga e tal, estou sugestionada e coisa-e-tal". e durante algum tempo creio que foi da mesma opinião. até conseguir sentir o "papinho". dali à ecografia e mamografia foi um suspiro. e até à biopsia foi um piscar de olhos. em dois dias, a minha vida tinha sido virada do avesso. de repente, tudo o que eu sabia porque me contaram estava a acontecer comigo. em tempo real.
em menos de um mês tinha sido operada. a 9 de janeiro de 2012.
alguém que conheço me diria, agora, "tu e as datas!" sim, eu guardo muitas datas. não faço de propósito. são os meus fantasmas, as minhas marcas de guerra. lembro-me e pronto.
quatro anos...
mais um ano e terão passado "os cinco anos".
só por hoje, todos os dias.
daqui a um ano, conto voltar aqui e recordar. faz sentido recordar, sempre. para mim, faz.
é uma homenagem de dentro. a quem sobrevive e a quem não sobrevive. um abraço apertado e quente a quem tem que passar por isto. por muito leve e simples que seja... nunca mais nada será igual.
c'est la vie. que seja. e que valha a pena.

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