terça-feira, 5 de maio de 2015


na toalha de linho manchada
repousavam os pratos sujos
restos de comida plastificada
onde falta a intimidade.

o misto do mofo e do cheiro a saco de viagem acabado de desfazer
suspende no ar
a indecisão e a rapidez
entre um olá e um adeus.

vivem nas árvores pássaros incertos

e as estações das chuvas
teimam em não deixar aberta a porta do sol.

há sol, sim,
mas é o sol dos outros.

com tanta árvore frondosa
e tanto céu
e tanto espaço de chão
a imitar a liberdade
ninguém
ali
se sente livre.


o que mais me emociona.
é o sabor da vontade de viver.

essa força entranhada na pele
réstia de luz na opacidade do desespero...

para sair das trevas...
não capitular.
não desistir.
resistir.
lutar.
                      mas sempre... na LUZ!

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