terça-feira, 31 de março de 2015

CONSELHO À NAVEGAÇÃO: LER AO SOM DESTA MÚSICA
(só porque o Jose James vai estar na Casa da Música no dia 4/Julho!)




... escuro
becos desertos
bebidas geladas
água a ferver
o vermelho da passagem de nível
nevoeiro nas curvas da serra
trovoada e relâmpagos
fila pára-arranca em dia de chuva, estrada de paralelo
chegar atrasada
errar por esquecimento
errar por desinteresse
esquecer os nomes
esquecer as caras
trocar identidades
hormonas
cair de saia
apatia da criança de dentro
ficar mesmo feia 
nunca me livrar dos óculos
entornar café na mesa de reuniões
cegueira
surdez
engordar
produtos tóxicos
pessoas tóxicas
subidas íngremes em primeira 
tumores
cantos obscuros
metásteses
nó na garganta
metásteses dos outros
crises de ansiedade
cama vazia
ficar sem trabalho
perder a inspiração
decisões difíceis
dizer não
dizer sim
soja escondida
falta de ar
esquecimento
deixar de sonhar
o cinza do talvez
deixar de acreditar
perder a alegria
prisões
silêncios forçados
falsidade
o pó das giestas em flor
falta de chuva
engolir emoções
queimadas e incêndios
falta de sol
multas
mentiras e meias-verdades
vomitar angústias
pés gelados
bandeira vermelha
correntes de ar
voltar a partir o telemóvel 
carteira vazia
contas por pagar
falta de amor
des-esperança
mãos vazias
demasiado sal 
morrer e não saber
zaragatas na rua
frustrações cristalizadas
palavras que matam
falta de resposta
voar sempre sozinha
tristezas que não vão embora...
e outros tantos, tantos outros...

..."partilha qu'isso passa!"...

... e apenas porque as pontas dos meus medos estão unidas por um sorriso...
 
sou eu, minh'alma que sorri...
FÉ!







sábado, 28 de março de 2015


vou de viagem.
à aventura.
sempre.

vou de viagem.
cá dentro.

não tenho hora para voltar.
não sei...
talvez perca o norte por lá...
e a noção do tempo.

ou não.

a esta altura, não sei...
sei apenas que vou...
na mudança da hora...

segunda-feira, 23 de março de 2015

um dia destes
volto a encontrar-me numa curva qualquer.

assim, inesperadamente.

e, na surpresa do reencontro, reconheço o olhar, a leveza.
volto a ficar absorta com o sussurrar das árvores
e o canto dos pássaros que já não se escondem nos ninhos
porque é primavera
e já fomos todos banhados pela super-lua do equinócio...

na verdade,
já me sinto a regressar
mas
ainda não cheguei.

de muito muito longe...

um dia destes, chego.

domingo, 22 de março de 2015



deito um silêncio ao chão
com a palma da mão...

a alma não...
a alma recolhe o silêncio ferido
abraça-o
leva-o para um ninho
para o ninar...

quisera curar o silêncio tombado
alma de cristal
fonte que jorra saudade...

hoje é assim.

amanhã... quem sabe?...

sexta-feira, 20 de março de 2015


sucedem-se as estações e tanto ainda para aprender...

hoje aprendi...

que há montanhas intransponíveis que afinal são feitas de nuvens escuras e pesadas que facilmente se atravessa com as mãos.

e recordei que é preciso não esquecer...
de ter outra perspectiva para não criar um monstro a partir de uma migalha.
que a mente está sempre pronta a fantasiar e a criar realidades paralelas que não trazem alegria.
que o apego ao que já passou não deixa espaço para o novo.


que o futuro só acontece quando o passado não pesa.

hoje.

hoje é primavera, porque ontem foi inverno.
e vem aí um sol escondido e uma lua magnífica.

renovação
renascimento

sucedem-se as estações...








quarta-feira, 18 de março de 2015

coisas favoritas.

entre todas (as tantas) minhas coisas favoritas... esta felicidade em poder crescer com pessoas, mais jovens ou menos jovens, em "contexto criativo" - teatro e não só...

viva a criatividade, imaginação, espontaneidade, alegria, diversão!

estou feliz.


terça-feira, 17 de março de 2015


in process

não digas nada. estou em processo.

quero lá saber do sol lá fora...
se a sala está fria
o café aguado
a gata encolhida
o pão duro
o carro avariado
a fonte seca
e tens sede.


quero lá saber das vozes dos outros...
se alguém chora aqui
ou ao lado
se a cama está vazia
um prato só na mesa
um copo partido
a porta fechada
e tens frio.

não digas nada. estou em processo.


alma em volta da reviravolta
a assentar a poeira
que a tempestade levantou
para além do céu
e estou aqui.

por isso...
não digas nada. estou em processo.

at last!





domingo, 15 de março de 2015

... vale a pena...


até para quem tem frio por dentro, nasce o sol.
cada amanhecer é um começo, até para quem está morto por dentro.

tragédia, tragédia, é viver adormecido, alheado, anestesiado... com uma couraça que não deixa que os raios desse sol de todos entre e ilumine e aqueça a escuridão e o frio de dentro.

triste, triste, é saber desta verdade e ter que a aceitar pelos olhos e pela alma dentro... e não poder fazer nada. faz parte. ninguém é mais que ninguém.  e - felizmente - há o livre-arbítrio... para o erro também. sem controlo, aceitação. cada um escolhe o seu caminho e o meu desvia-se, hoje, um pouco mais de alguns outros...

as it should be.

hoje, o sol do mundo veste-me a ternura e dou mais um passo... por outro caminho. o meu. sempre.


e há o rio, e o cheiro do rio. as gaivotas, as garças e as cegonhas... as árvores em flor e as mimosas...

(atchum!!!! - não é erro, eu espirro mesmo em atchUM...)

e há o dia inteirinho, dolente, a deslizar à minha frente... 
comigo...


"tudo vale a pena quando a alma não é pequena" Fernando Pessoa

sábado, 14 de março de 2015

sorte...

tirei uma carta da sorte à sorte e deitei-me com ela. deixei que a sorte da carta da sorte à sorte me entrasse pelos sonhos dentro e deixasse a sua sorte, em mim.
tremenda esta carta da sorte. por sorte, é de boa sorte, senão... que sorte a minha!
era a carta da festa. do riso e da abundância. e, hoje, já vivi isso tudo e ainda não acabou o dia!

metáforas e trocadilhos à parte...

às vezes, não sei o que fazer com a fragilidade da alma. não confundir com fraqueza, se faz favor. é fragilidade, mesmo. pura. daquela que emociona e desalinha as lágrimas de tal forma que têm que sair a correr. ou emociona e solta-se exuberante em risos e gargalhadas, no corpo a dançar num arraial de alegria transparente. a fragilidade continua ali. sempre. até os heróis são frágeis - e eu que não acredito em heróis! então, parece que será sorte tamanha fragilidade. ainda que a minha sorte seja ser forte, apesar da fragilidade da alma. ser frágil e ser forte. fragilidade não é fraqueza.

e mais não sei.

há o sol ainda lá fora e esta noite sento-me à mesa com almas de coração com quem não receio partilhar o tamanho da minha fragilidade.
sim. porque eu tenho essa sorte. todos deviam ter essa sorte. devia ser uma sorte destinada à nascença.

a amizade.

    





voyage...
sentei na cadeira memórias antigas. retalhos de histórias que coleccionei ao longo de muitas vidas.
algumas, troquei-as por pedaços d'alma que só resgatei nos versos cantados por Piaf e Brell em noites longas regadas a suspiros...
foi tudo isto que sentei comigo, nesta noite... viagem no tempo, pela História e por dentro.
merci, maestro.

quinta-feira, 12 de março de 2015

por cá...

anda-se por cá, com queixas antigas, lamentos de todos os dias.
anda-se assim, de tarefa em tarefa, saltimbancos de desafio em desafio...
e, de repente... damos cara-a-cara, a frio, com a face da derradeira perda na mulher que assiste, impotente, ao ritual de despedida do companheiro de toda a vida. a outra metade de si.  ao lado do caixão, tão direita e tão composta, com uma determinação vestida de fragilidade, irradia uma dor sufocada que grita tão alto que consegue ocupar toda a sala e atingir-nos numa bofetada. uma dor tão imensa que não há palavras nem gestos de consolo.
vejo-a a chorar por dentro. como se fosse um sonho em slow motion. em modo sobrevivência...

mas eu só posso sentir o que vem dos outros. até agora, com esta idade, a derradeira perda ... ainda não me tocou. claro que já me partiram familiares e amigos... mas ou foi há muito tempo ou tive que lidar com o meu próprio demónio e fiquei sem espaço para mais nada. talvez por isso ainda sinta, de quando em vez, os resquícios de uma dor que não viveu a sua época.
é então. que... frente a um caixão se fala de nascimentos... com uma naturalidade que desmonta as sombras e vem recordar o que não pode ser esquecido. está tudo certo. tudo. a Lei da Vida, como tu disseste, Amiga. a Lei da Vida.
desembarcam uns, embarcam outros.

eu?... por agora, estou por cá... grata por mais uma lição de vida... de amor.
de verdadeiro amor.


elegia a uma paixoneta assassinada 
(2014)

havia um poema por escrever nos teus lábios
uma canção por nascer
um segredo à espera…
havia o toque quase preciso das tuas mãos
já te sentia e saboreava
na certeza do que seriamos..
sem ti,
acordava contigo
na expectativa de ti
de te esperar
de saber que virias…
encantamento.
bebia-te sem pressas
enrolava-te no meu calor
sentia-te…
energia.
dois mundos longe, tão perto…
como te esperei!
compreenderás,
então,
o tamanho da decepção…
saberás que na minh’alma
onde antes havia desejo
agora há frustração
que o carinho das minhas mãos estendidas
esmoreceu e partiu…
e já não me apetece dançar…
pois se havia
as minhas asas abertas
no céu infinito dos sonhos…
e foi cancelada a viagem às estrelas
e as caminhadas ao luar
e a cumplicidade dos lençóis!

ficou apenas este silêncio de pássaro vaidoso 
ferido no seu orgulho...

agora…
viro a página.

adeus, meu quase-amor.

sorrio,
volto a abrir as asas
e reencontro-me
no espaço onde o sonho tem lugar.
enfim.


terça-feira, 10 de março de 2015


as coisas que não...

temos tantas coisas que não...
são as horas que não passam ou que não chegam. as responsabilidades e as contas que não param. o trânsito que não anda. o beijo que não passa da testa. o telefone que não toca. a padaria que não tem pão sem soja. os argumentos que não rebatemos e os que não engolimos. o arroz que não tem sal. as janelas que não transpiram silêncio. a hamster que não fala. o quarto que não respira. a luz que não brilha. a roupa que não seca no estendal. a porta do armário que não fecha. as mãos que não aquecem. os planos que não sobrevivem à desilusão. as dores que não passam. a tristeza que não vai embora. o sapato que não é confortável. a borracha que não apaga.

mas... por outro lado...

temos as coisas que não...
as refeições que não faltam. o tecto que não cai. o aconchego do sofá que não arrefece. as gargalhadas e as brincadeiras que não desaparecem com o tempo. o mar que não deixa de rugir ou sussurrar. o sol que não deixa de brilhar. o rio que não deixa de cantar. a outra padaria que não tem só pão com soja. a fruta do campo que não perde o sabor. os pais que não faltam. os filhos que não páram de crescer. o relógio que não dita horas a toda a hora. os resultados das análises que não dão positivo. as gaivotas e as aves da primavera que não deixam de aparecer. o silêncio que não pesa. a frescura da manhã que não se esquece. o mundo que não pára de girar porque alguém perdeu a rota do seu umbigo. as noites em que a lua não nega ser descardamente imoral. a almofada que não vira-a-casaca e permanece fiel aos suspiros. os dias que não deixam de amanhecer...

e, assim...

de não em não... tantos nãos que resultam em tantos sins... basta dobrar a curva dos lábios e transformar o lamento num sorriso.

nem sempre fácil, mas sempre eficaz.

... além disso... o Verão não tarda aí!




segunda-feira, 9 de março de 2015

dia da mulher, certo?...

há dias em que a alma é mais uma rodilha amachucada de momentos pesados, tristezas, perdas, desilusões...
de repente, parece que todos os murros secos, precisos e fatais (tipo KO, mesmo!) que se receberam ao longo da vida, liderados pelo murro do momento, se juntam e se lançam unidos, tipo disparo de canhão, num único mega-soco, em cheio na alma, e abanam a estrutura... por dentro. esses momentos (os meus pomposos INSIGHTS), que  acontecem em lugares mais ou menos especiais, são os meus "momentos da verdade"... autênticos terramotos interiores... a partir dali, já não é possível ignorar a verdade, nem desencantar desculpas criativas. a boa-vontade e a mente aberta passam a ser fraqueza e não vale a pena fechar os olhos, nem voltar as costas. a verdade olha-me fixamente, de frente...

a verdade, no momento da verdade. 

não importa o dia, nem a hora, nem a circunstância.  invariavelmente, a voz que, antes, debitava poemas doces assume um tom impaciente, quase cruel, e dispara um "é assim" que não deixa margem para dúvida. não há "falsos positivos" e é escusado continuar a estrebuchar. aprendi que não aceitar a verdade tem um preço muito mais alto do que a dor (seja qual for) da sua aceitação. e não é uma aceitação passiva, não senhora! é daquelas que, depois de um ou muitos mais suspiros arrancados das profundezas da tristeza, obriga a levantar a cabeça, endireitar as costas e a responder à voz de dentro... "vamos lá fazer isto".

e faço. 

nem que isso me rebente no peito como uma explosão e deixe a alma em escombros. mas faço. porque pior do que o fazer é a negação da verdade.

faço. 

e pago o preço que tenho a pagar, porque só depois de pagar o bilhete de volta é que regresso a mim.

mas não estou sozinha. 

a minha determinação tem também a força da amizade de quem, no matter what, está aqui. há os telefonemas e os mails e os chats. há os sushis e as esplanadas. as conversas do "privado" e as da cozinha e as do sofá. há a intimidade e confiança de quem nos recebe e aceita, durante todo o processo. da ilusão, à desilusão. da sedução à perda. da euforia ao vazio.  e permanece aqui, apesar de nós. e não dá palmadinhas mas dá mimo e colinho. e, no movimento perfeito do oito invertido, também EU aqui estou. para o que der e vier, apesar de mim. you scratch my back, i scratch yours...

e, depois... há gestos simples, tão simples, que, realmente, fazem a diferença...

... dia da mulher...

especialmente para as mulheres que me acompanham, e a quem acompanho, nesta aventura de SER mulher...OBRIGADA!



 
Nota: O símbolo do infinítu representa a eternidade, o sagrado, a divindade, a evolução, o amor e o equilíbrio entre o físico e o espiritual.