elegia a uma paixoneta assassinada
(2014)
havia um poema por
escrever nos teus lábios
uma canção por nascer
um segredo à espera…
havia o toque quase
preciso das tuas mãos
já te sentia e saboreava
na certeza
do que seriamos..
sem ti,
acordava contigo
acordava contigo
na expectativa de ti
de te esperar
de saber que virias…
encantamento.
bebia-te sem pressas
enrolava-te no meu calor
sentia-te…
energia.
dois mundos longe, tão
perto…
como te esperei!
compreenderás,
então,
então,
o tamanho da decepção…
onde antes havia desejo
agora há frustração
que o carinho das minhas
mãos estendidas
esmoreceu e partiu…
e já não me apetece
dançar…
pois se havia
as minhas asas abertas
no céu infinito dos
sonhos…
e foi cancelada a viagem
às estrelas
e as caminhadas ao luar
e a cumplicidade dos
lençóis!
ficou apenas este
silêncio de pássaro vaidoso
ferido no seu orgulho...
ferido no seu orgulho...
agora…
viro a página.
adeus, meu quase-amor.
sorrio,
volto a abrir as asas
e reencontro-me
no espaço onde o sonho
tem lugar.
enfim.
enfim.

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