quinta-feira, 12 de março de 2015


elegia a uma paixoneta assassinada 
(2014)

havia um poema por escrever nos teus lábios
uma canção por nascer
um segredo à espera…
havia o toque quase preciso das tuas mãos
já te sentia e saboreava
na certeza do que seriamos..
sem ti,
acordava contigo
na expectativa de ti
de te esperar
de saber que virias…
encantamento.
bebia-te sem pressas
enrolava-te no meu calor
sentia-te…
energia.
dois mundos longe, tão perto…
como te esperei!
compreenderás,
então,
o tamanho da decepção…
saberás que na minh’alma
onde antes havia desejo
agora há frustração
que o carinho das minhas mãos estendidas
esmoreceu e partiu…
e já não me apetece dançar…
pois se havia
as minhas asas abertas
no céu infinito dos sonhos…
e foi cancelada a viagem às estrelas
e as caminhadas ao luar
e a cumplicidade dos lençóis!

ficou apenas este silêncio de pássaro vaidoso 
ferido no seu orgulho...

agora…
viro a página.

adeus, meu quase-amor.

sorrio,
volto a abrir as asas
e reencontro-me
no espaço onde o sonho tem lugar.
enfim.


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