por cá...
anda-se por cá, com queixas antigas, lamentos de todos os dias.
anda-se assim, de tarefa em tarefa, saltimbancos de desafio em desafio...
e, de repente... damos cara-a-cara, a frio, com a face da derradeira perda na mulher que assiste, impotente, ao ritual de despedida do companheiro de toda a vida. a outra metade de si. ao lado do caixão, tão direita e tão composta, com uma determinação vestida de fragilidade, irradia uma dor sufocada que grita tão alto que consegue ocupar toda a sala e atingir-nos numa bofetada. uma dor tão imensa que não há palavras nem gestos de consolo.
vejo-a a chorar por dentro. como se fosse um sonho em slow motion. em modo sobrevivência...
mas eu só posso sentir o que vem dos outros. até agora, com esta idade, a derradeira perda ... ainda não me tocou. claro que já me partiram familiares e amigos... mas ou foi há muito tempo ou tive que lidar com o meu próprio demónio e fiquei sem espaço para mais nada. talvez por isso ainda sinta, de quando em vez, os resquícios de uma dor que não viveu a sua época.
é então. que... frente a um caixão se fala de nascimentos... com uma naturalidade que desmonta as sombras e vem recordar o que não pode ser esquecido. está tudo certo. tudo. a Lei da Vida, como tu disseste, Amiga. a Lei da Vida.
desembarcam uns, embarcam outros.
eu?... por agora, estou por cá... grata por mais uma lição de vida... de amor.
de verdadeiro amor.
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